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domingo, 11 de novembro de 2007
Um pouco de descontração
Artigo 390 da CLT
Artigo 390 da CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS TRABALHISTAS (CLT)
Art. 390-C - As empresas com mais de cem empregados, de ambos os sexos, deverão manter programas especiais de incentivos e aperfeiçoamento profissional da mão-de-obra. (Acrescentado pela Lei n.º 9.799 , de 26-5-99, DOU 27-05-99)
E-mail enviado ao Diretor Superintendente da EMDUR
O fim do trabalho aos sábados é uma reivindicação justa, e antiga, do setor operacional.
Por isso estamos contando com teu apoio e dos demais diretores da empresa para que isso venha a ser viável.
Se não podemos realizar a compensação das 44 horas de segunda a sábado, poderíamos começar a pensar na redução da carga horária de trabalho, passando das 44 horas de segunda a sábado para 40 horas de segunda a sexta, tendo assim o sábado excluído.
Aí sim, caso seja necessário a realização de serviços em alguns sábados, os mesmos poderiam ser realizados com o pagamento de extras, sem prejudicar a empresa com ações que envolvam horas extras de segunda a sexta.
Teríamos 8 horas diárias de serviço de segunda à sexta.
Existe hoje a grande expectativa de que em 2008 os trabalhadores consigam novamente a liberação aos sábados, o que considero justo.
O setor administrativo já conta com essa vantagem, não vejo porque o operacional não possa contar também.
Contamos, repito, com o apoio da direção da empresa para que mais essa conquista para os trabalhadores venha a ser concretizada.
Att
Luiz Carlos.
Fim do trabalho aos sábados!
Dívida social tem que ser paga
domingo, 14 de outubro de 2007
Assédio Moral: como identificar?
Revista Partes - Especial sobre Assédio Moral |
| Identificando o Assédio Moral no trabalho Carolina de Aguiar Teixeira Mendes |
Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra “assédio” significa “insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém”.[1]
Ultimamente, tem-se ouvido muito falar em assédio moral, embora não seja grande novidade na história da humanidade. Mas, afinal, o que é assédio moral no trabalho? Você conseguiria identificar se está sendo vítima desse mal?
Segundo a médica Margarida Barreto, médica do trabalho e ginecologista, assédio moral no trabalho é “a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego”[2].
Primeiramente, fala-se em “exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras”. O trabalhador deve se sentir extremamente rebaixado, oprimido, ofendido, inferiorizado, vexado e ultrajado pela ação do assediador, que o persegue e o importuna.
Para citar um exemplo de humilhação no trabalho, apresentaremos um processo iniciado na 4a Vara do Trabalho de São Bernardo do Campo, com posterior Recurso Ordinário dirigido ao TRT/SP, no qual a empresa foi condenada a indenizar a reclamante por danos morais. [3]
Consta dos autos que a vítima vendia cotas para um consórcio e recebia tratamento desrespeitoso por parte de seus superiores, no intuito de vender e atingir metas. Eles aconselhavam-na a “sair com clientes” ou “vender o corpo”, além de agredir verbalmente não só à reclamante, mas também aos vendedores que não alcançavam as metas, fazendo comentários irônicos, aplicando advertências, e tratando-os de forma extremamente grosseira, inclusive com xingamentos. Tudo acontecia na presença de outros funcionários, os quais serviram de testemunha no decorrer do processo.
Indiscutivelmente, havendo laudo clínico ou não, a reclamante teve sua saúde psicológica afetada, além de sua vida profissional e privada. Não houve respeito algum por parte dos superiores à sua “dignidade humana”, posto ter sido “exposta ao ridículo” e tratada como simples objeto, e não como trabalhadora que era.
O assédio moral restou caracterizado pelo desrespeito à honra, moral e dignidade da trabalhadora. Houve, ainda, patente discriminação à figura da mulher, como se devesse estar à disposição de qualquer demanda do homem. Assim, consagrou-se evidente seu direito em requerer indenização por danos morais, a qual lhe foi concedida no valor de dez vezes o valor recebido normalmente no trabalho.
Dando continuidade à análise do conceito de assédio moral, ressalta-se que a exposição a esse tipo de situação deve ser “repetitiva e prolongada durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções”.
Para bem ilustrar o assunto, citaremos o caso de Denise Gomes, 50 anos, professora em Belo Horizonte, cujo depoimento foi dado à Revista Veja, e publicado na Edição 1913, de 13 de julho de 2005. Através de ação judicial, a professora obteve a rescisão do contrato de trabalho, além de indenização no valor de 25 mil reais. Vejamos as declarações de Denise:
“Entre 2004 e 2005, fui moralmente assediada por coordenadores do departamento da universidade onde trabalhei até o mês passado. Depois de um período de afastamento, encontrei um ambiente hostil. Deram-me um horário irracional. Em um dia, tinha de trabalhar doze horas ininterruptas. Quase todos os dias, recebia ofícios de advertência, sem que nada tivesse feito de errado. Elegi-me para uma comissão de prevenção de acidentes e passei a ser ainda mais humilhada. Deram-me atividades de orientação de estagiários, com a justificativa de que eu não tinha qualificação para dar aulas. Numa reunião, o coordenador agrediu-me aos berros na frente de colegas e funcionários. Cheguei a ser colocada numa salinha, sem nada para fazer. Nesse processo estressante, adoeci e voltei a sofrer convulses depois de 24 anos sem ter esse problema. Também perdi mais da metade da minha renda.” [4]
Extrai-se do depoimento da senhora Denise que a humilhação acontecia na universidade, ou seja, em seu ambiente de trabalho e, ainda, no exercício de suas funções. Ademais, o assédio era repetitivo, acontecendo quase diariamente, além de prolongado, posto ter ocorrido por vários meses, entre 2004 e 2005.
Explica, ainda, Margarida Barreto, ser a perseguição mais comum em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas[5], predominando condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s).
Segundo o dicionário Houaiss, relações assimétricas seriam relações desiguais, desproporcionais e diferentes, ou seja, desarmônicas.
Apesar do assédio moral no trabalho ser mais comum em relações hierárquicas, ou seja, de chefe(s) para subordinado(s), há ainda casos de colegas de trabalho que assediam a outros colegas.
Na mesma edição da Revista Veja estão as declarações de Ronaldo Nunes Carvalho, 37 anos, na época vendedor em uma cervejaria em Porto Alegre. Vejamos:
“Durante um ano e quarto meses vivi num inferno, como vendedor de uma companhia de bebidas. A ordem da gerência era ridicularizar quem não cumpria as metas. Nas reuniões que precediam as nossas saídas para a rua, cada vendedor relatava os resultados do dia anterior. Quando eu era um dos que não tinham alcançado a meta, me via obrigado a pagar prendas, como subir na mesa e fazer flexões. Ao mesmo tempo, meus colegas eram instigados pelos gerentes a passar as mãos nas minhas nádegas. Às vezes, era obrigado a desfilar de saias ou passar por um corredor polonês formado pelos colegas, puvindo palavrões e ofensas, como ‘burro’ e ‘imprestável’. Em seguida, eu ia para o banheiro e chorava escondido. Um dia de trabalho depois disso era o maior sacrifício. Em casa, vivia estressado, brigava com a minha mulher. Estava a ponto de explodir.” [6]
Perguntamos: os colegas eram obrigados a humilhá-lo? A resposta pode ser: “Sim, ou ele(s) perderia(m) o emprego”. Discordamos.
Analisando filosoficamente, Sócrates acreditava que era melhor sofrer o mal que infligi-lo. Hannah Arendt, uma das filósofas mais importantes do século XX, em seu livro “Responsabilidade e Julgamento”, nos explica tal pensamento:
“Se somos confrontados com dois males, assim reza o argumento, é nosso dever optar pelo menor, ao passo que é irresponsável nos recusarmos a escolher.” [7]
Ou seja, entre perder o emprego e humilhar o colega, prefere-se o mal menor de acordo com sua acepção: humilhar o colega.
E Arendt expressa sua discordância com a assertiva de Sócrates:
“Esse argumento é um dos mecanismos embutidos na maquinaria de terror e criminalidade. A aceitação de males menores é conscientemente usada para condicionar os funcionários do governo, bem como a população em geral, a aceitar o mal em si mesmo.”
(…)
“Infelizmente, parece ser muito mais fácil condicionar o comportamento humano e fazer as pessoas se portarem de maneira mais inesperada e abominável do que convencer alguém a aprender com a experiência, como diz o ditado; isto é, começar a pensar e julgar em vez de aplicar categorias e fórmulas que estão profundamente arraigadas em nossa mente, mas cuja base de experiência foi esquecida há muito tempo, e cuja plausibilidade reside antes na coerência intelectual do que na adequação e acontecimentos reais.” [8]
Tanto a gerência quanto os outros funcionários assediaram moralmente a Ronaldo. Se os colegas de trabalho da vítima tivessem usado da faculdade humana de pensar, poderiam julgar a situação de acordo com suas experiências e desobedecer as chamadas “ordens superiores”. Se não o fizeram, é porque estavam/foram condicionados a concordar com o que lhes foi ordenado, e preferiram o mal menor (a humilhação do colega) à demissão individual e/ou coletiva.
Pensar não é uma atitude mecânica, mas um diálogo silencioso e profundo do homem consigo mesmo, que leva a uma decisão de acordo com a moral. Se tivessem parado para “pensar” (conforme o exposto acima), chegariam à conclusão de que seriam incapazes de conviver consigo (lê-se: por se constatarem, então, malfeitores) para o resto de suas vidas.
Neste sentido, para Hannah Arendt:
“…o pensamento que devemos lembrar é uma atividade, e não o desfrute passivo de algo.
(…)
“A moralidade diz respeito ao indivíduo na sua singularidade. O critério de certo e errado, a resposta à pergunta: “O que devo fazer?”, não depende, em última análise, nem dos hábitos e costumes que partilho com aqueles ao meu redor nem de uma ordem de origem divina ou humana, mas do que decido com respeito a mim mesma. Em outras palavras, não posso fazer certas coisas porque, depois de fazê-las, já não serei capaz de viver comigo mesma.” [9]
Mas para a sociedade atual, é muito mais “fácil” não pensar e, sim, simplesmente agir condicionadamente pelo meio externo e pela correria cotidiana. Assim, “pensar dá muito trabalho” e “é trabalho de filósofos”: eis o estereótipo que impera. Não é assim que dizem?
Bem, sobre o caso de Ronaldo, este foi indenizado no valor de R$21.600,00 (vinte e um mil e seiscentos reais), quantia considerável nos tempos atuais. Porém, dinheiro algum nesse mundo é capaz de pagar o sofrimento físico e psicológico da vítima, cujas marcas podem permanecer por uma vida inteira.
Ainda segundo os estudos da Dra. Margarida no trabalho retro mencionado, a intenção do assediador moral seria “desestabilizar a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego”.
Quem agüentaria ficar num ambiente de trabalho onde todos caçoam de suas atitudes? A demissão voluntária traz menos despesas à empresa, obviamente. É muito cômodo colocar o funcionário numa posição desconfortável a ponto dele mesmo “pedir as contas”.
Devemos diferenciar o assunto aqui tratado com “a natural pressão decorrente do mercado cada vez mais competitivo do mundo globalizado, ou o exercício regular do direito do empregador exigir produtividade de seus empregados.”[10]
Isso quer dizer que a pressão do dia-a-dia na empresa, a correria, as intermináveis tarefas, geralmente em nada têm a ver com o assédio. Estamos vivendo num mundo globalizado que tem uma de suas características a competição real e a tendência de correr para não ficar para trás. Essa é a realidade não só empresarial, mas, principalmente, no setor público.
A situação é bem diferente quando o chefe ou mesmo o colega de trabalho começa a agir de maneira a humilhar e rebaixar ao outro. Aí deve-se ficar atento para não cair numa cilada emocional que pode destruir emprego, convivência social e familiar, e até mesmo a própria vida.
Os danos que o assédio moral pode causar ao empregado são seríssimos. Também conhecido como síndrome del acoso institucional, acoso moral, psicoterror, coação moral ou mobbing, o assédio moral no trabalho ultrapassa não só as fronteiras internacionais, como também qualquer categoria profissional. Médicos, advogados, operários, vendedores, representantes comerciais, diaristas, não há preferência profissional na desta perversidade.
A vítima pode sofrer “danos emocionais e doenças psicossomáticas, como alterações do sono, distúrbios alimentares, diminuição da libido, aumento da pressão arterial, desânimo, insegurança, entre outros, podendo acarretar quadros de pânico e de depressão. Em casos extremos, pode levar à morte ou ao suicídio.”[11] Ademais, a capacidade laborativa do empregado é extremamente atingida.
O assédio moral dá direito à rescisão indireta. O trabalhador ainda pode pedir indenizações morais e/ou materiais. Para tanto, faz-se necessária consistente coleta de provas. Eis aí a parte mais difícil: como provar? A dificuldade existe por tratar-se de uma violência sutil, psicológica, e não física. Acontece quase que de maneira “invisível”.
Meras alegações de nada valem ao Judiciário. A este interessa somente as provas, cuja coleta pode transforma-se em grande teste de paciência ao assediado. Tão logo a vítima perceba que está sendo assediada moralmente, deve reunir documentos escritos pelo assediador, como e-mails, cartas e bilhetes, além de laudos médicos, cartões de ponto, e quaisquer outros documentos que provem uma perseguição. Gravações das ofensas do malfeitor diretamente à vítima também são possíveis. Outra prova importantíssima são as testemunhas, que podem comprovar gestos, comportamentos e palavras relativas ao assédio. Recomendável também é procurar um advogado para melhor aconselhar-se na questão probatória.
É relevante mencionar que as conseqüências de tamanho abuso atingem não apenas ao assediado, mas sim a toda a coletividade, violando os direitos à saúde e à dignidade humana, o que evidencia a gravidade do fato.
Ademais, há conseqüências para a própria empresa (como a baixa produtividade, por exemplo), e ainda para os governos, uma vez que as enfermidades dos trabalhadores resultam em gastos de atenção sanitária e seguridade social.
No sentido de combater este mal, a legislação ainda não é completa, existindo apenas poucas leis e alguns projetos de normas jurídicas, além das Sentenças Judiciais de Tribunais de diferentes instâncias começarem a servir de precedente judicial e jurisprudencial.
Andrea Fabiana MacDonald, advogada argentina, expõe em seu artigo “Um novo fenômeno no Direito do Trabalho: mobbing ou violência trabalhista”, algumas soluções propostas pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), entre as quais a solução preventiva:
“Soluções preventivas: que tomem em conta a origem da violência, e não somente seus efeitos;” [12]
A OIT entende que não adianta apenas criticar o malfeitor, indenizar as vítimas, gastar “rios” de dinheiro com a atenção sanitária e seguridade social; é necessário agir na fonte, na raiz, para que essa árvore não cresça mais. Precisamos entender as causas/motivações que levam o assediador a agir de determinada maneira é essencial para que as ações sejam de fato eficazes no combate ao assédio moral.
Não encontraremos, porém, a resposta mágica para a questão “como erradicar o assédio moral da sociedade”. Devemos entender o que se passa na mente do malfeitor para que possamos trabalhar as causas do mal, motivar a reflexão dos legisladores, e quem sabe até conscientizar os assediadores no sentido de mudarem seus valores e caráter.
Assim nos ensina o Prof. Jorge Luiz de Oliveira da Silva:
“De uma forma ou de outra, qualquer que seja o perfil do assediador, tudo converge para uma mesma constatação: é ele um fraco, porque demonstrou ser incapaz de construir sua própria felicidade, deixando de praticar atitudes que o conduziriam à conquista do bem.” [13]
Para atingirmos tal objetivo, faz-se necessária uma pesquisa interdisciplinar (Filosofia, Psicologia, Psiquiatria e Direito) no sentido de abrir os caminhos científicos e alcançar seu pleno desenvolvimento. Estes são os primeiros passos para a conquista de um bom ambiente de trabalho, onde haja respeito ao trabalhador e à cidadania.
Resgatar Napoleão: tem louco pra tudo,né?
| Animados pela Revolução Pernambucana de 1817, um grupo de emigrados franceses nos Estados Unidos elaborou um plano para resgatar o imperador em Santa Helena e trazê-lo para a América usando o Brasil como base de operações | ||||||
| por Vasco Mariz | ||||||
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Che,herói de muitas causas!
| Che Guevara - O herói de muitas causas | ||||||
| Descendente de um vice-rei do México, Ernesto Guevara de La Serna encarna o espírito revolucionário, e sua imagem segue cultivada até mesmo sem grande conhecimento de seu legado. | ||||||
| por Pascal Marchetti-Leca | ||||||
Pascal Marchetti-Leca é professor na Universidade da Córsega e autor de Innominata (Dcl, 2001).
(Fonte:www.uol.com.br)
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Redução na jornada de trabalho
Trabalhar menos gera emprego e dá cidadania
A campanha pela redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas é um instrumento estratégico para elevar o nível de consciência social e intelectual dos jovens e ao mesmo tempo inserir estas pessoas no mercado de trabalho. A idéia é que com uma carga menor de trabalho, eles vão melhorar sua qualidade de vida, pois terão mais tempo para o estudo, para fazer cursos de qualificação profissional, frequentar cinemas, teatros, bibliotecas, e fortalecer os laços familiares. Empregados e com um nível cultural muito melhor, os jovens passarão a ter perspectiva de uma vida digna e prazeirosa.
A campanha pela 40 horas semanais também é importante para aumentar a oferta de emprego para a juventude. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou recentemente uma pesquisa, de 2003, mostrando que os jovens desempregados no mundo, com idade entre 15 e 24 anos, são 88 milhões. Um recorde. Só no Brasil são 3,5 milhões sem trabalho. Isto nos assusta.
Além das políticas públicas específicas, como o 1º Emprego, queremos que os jovens tenham oportunidades efetivas de trabalho. Muito mais do que estagiário, trabalhar na informalidade ou em atividades secundárias, eles têm de ter um bom emprego com carteira assinada para ser profissionais.
O mercado hoje exige trabalhadores polivalentes, que precisam assimilar uma série de informações. Trabalhando menos horas, o jovem poderá estudar e se valorizar profissionalmente, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do produto ou serviço. Uma jornada menor é bom para o empregado, as também o é para a empresa.
Segundo estudo do Dieese, a semana de 40 horas pode criar 2 milhões de empregos. Sabemos que só isto não basta. É necessário que o governo estabeleça uma política de desenvolvimento para o país com investimentos nos setores que empregam mão-de-obra intensiva. Além disso, o movimento sindical precisa lançar uma campanha para combater a cultura das horas extras. Só assim o Brasil vai criar emprego, gerar e distribuir renda, aumentar a produção, intensificar as vendas. Socialmente, teremos uma país bem melhor, com sua juventude ocupada no trabalho, no estudo, na cultura e no lazer. Só assim vamos acabar com a reprodução da ignorância, da pobreza e da miséria
(Fonte:http://www.jornada.locaweb.com.br/artigos)sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Felicidade no trabalho
Felicidade no trabalho: quais os ingredientes?
Há cerca de 20 anos, um estudo feito pela Universidade de Ilinois com executivos das 400 maiores empresas americanas apontou seis coisas que fazem as pessoas felizes.
95% dos entrevistados apontaram para seis ingredientes, sempre na mesma ordem, que compõem a receita da felicidade no trabalho.
Pela ordem:
1. Ter desafios;
2. Perspectiva de crescimento;
3. Reconhecimento;
4. Integração da equipe;
5. Sentir-se útil;
6. Ter um líder respeitado.
E o dinheiro? Não entra na lista?
Não. Pelo menos não quando falamos em ser feliz no trabalho.
Felicidade não se compra.
Um ambiente que não ofereça desafios, por exemplo, não tem como ser um ambiente feliz.
Se não temos uma perspectiva de crescimento, de valorização, dentro da empresa, de nada valerá ganharmos rios e rios de dinheiro.
Quanto ao reconhecimento: um elogio, um sorriso e a palavra certa fazem milagres.
Ser uma peça fundamental dentro da engrenagem de trabalho é fundamental para os trabalhadores, pois dá segurança e satisfação pessoal.
Ter um líder que incentive os seus comandados, valorizando-os e defendendo-os quando surgirem os problemas é também algo sempre bem-vindo dentro das empresas.
Valorização, reconhecimento, respeito, incentivo e segurança são coisas que dinheiro algum pode comprar.
De que adianta ganhar 5000 reais por mês e viver num ambiente “carregado”?
Vai existir felicidade num ambiente sem respeito, sem valorização?
Conclusão: a pesquisa, feita há cerca de 20 anos, continua atualíssima.
E serve como um alerta para todos os administradores, sejam eles públicos ou privados.
Que eles invistam em ações que tragam felicidade aos trabalhadores, os dividendos advindos destas ações serão altamente benéficos tanto para as empresas e administrações públicas quanto para a sociedade.
Luiz Carlos dos Santos
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas empresas Públicas Municipais de Toledo
(SINTRAEP)
E-mail: sintraep@ibest.com.br
Homenagem ao Che (Parte 2)
Fidel Castro homenageia Che Guevara
Havana (AE-AP) - O convalescente presidente licenciado de Cuba, Fidel Castro, homenageou ontem o líder guerrilheiro Ernesto Che Guevara em um artigo para marcar os 40 anos da morte do médico argentino convertido em revolucionário.
"Faço uma pausa na luta diária para inclinar o semblante, com respeito e gratidão, ante o excepcional combatente morto há 40 anos", escreveu Fidel em seu mais recente artigo, publicado na edição de ontem'do jornal Granma. Fidel agradece "pelo que tentou fazer e não pôde em seu país de nascimento, pois foi como uma flor arrancada prematuramente do caule". Guevara nasceu em 14 de junho de 1928 na cidade argentina de Rosario. Ele foi executado na Bolívia em 9 de outubro de 1967, depois de ser capturado por soldados bolivianos apoiados por agentes americanos. Os restos mortais de Che foram exumados e levados a Cuba em 1997. Atualmente repousam em um monumento em Santa Clara, 270 quilômetros ao leste de Havana. No local, ontem o presidente provisório de Cuba, Raúl Castro, participou do ato central em homenagem a Che. Ernesto, o filho mais novo de Che Guevara, passou diante do túmulo de seu pai, no memorial da cidade de Santa Clara, montado numa Harley- Davidson, em uma singular homenagem que ele e seus colegas motociclistas cubanos prestaram ao guerrilheiro nos 40 anos de sua morte. Ernesto guardou um minuto de silêncio à saída do monumento, para depois prestar um ensurdecedor tributo: acelerou à toda velocidade sua moto vinho modelo 45, de 1937. "Estou aqui como um 'harlista' a mais", declarou Ernesto, que vestia uma camiseta e jeans azuis e era apenas um bebê quando o pai partiu para a Bolívia, em novembro de 1965.
(Artigo publicado no jornal O Estado do Paraná, do dia 09 de outubro de 2007, pág. 11, em homenagem ao guerrilheiro Ernesto Che Guevara)
Homenagem ao Che (Parte 1)
DOMINGO. 7 DE OUTUBRO DE 2007 O ESTADO DE S.Paulo
Che, O imaginário do sacrifício
Guevara morto inaugurou o novo testamento de uma nova práxis política: o marxismo latino, moreno e místico
José de Souza Martins
Os meses e anos seguintes àquele meio de tarde de 9 de outubro de 1967, quando Ernesto Che Guevara foi executado sumariamente por um tenente do exército boliviano, revelariam alguns dos vários mistérios que estavam contidos muito mais naquela morte do que naquela vida.
Naquele momento, ali na mata, na encosta dos Andes, no emblemático limite que separa a planície da montanha, a América branca da América indígena, e que separa também a América guarani da América quéchua, começaram várias agonias. A começar por seus algozes diretos, a maioria dos quais morreria de forma estranha e inesperada nos anos seguintes, como que executados pela espada de fogo de um vingador invisível.
- A rajada de fuzil no corpo do Che rasgou o véu do templo de nossas certezas, do alto até embaixo, libertando os medos e as contradições do nosso imaginário político místico. Um novo testamento se abriu na memória e na história dos povos latino americanos, no marco de um realismo mágico difuso e persistente. Era o incompreendido novíssimo testamento de uma nova práxis política, de uma comunhão de sangue entre a fé e a política, o misticismo de uma reprimida esperança, messiânica e milenarista.
A morte de Che desdisse muita coisa que ele não queria pessoal e conscientemente desdizer e disse muita coisa que ele não sabia estar dizendo. Che disse aos seus captores que valia mais vivo do que morto. Para o misticismo político latino-americano ele valia mais morto do que vivo. Porque só os mortos do sacrifício humano podem ressuscitar e entrar na eternidade das esperanças milenaristas tão próprias desta América sem rumo. "Saio da vida para entrar na história", escreveu Getúlio Vargas, quando Se encontrava no pórtico da morte. São poucos os que tem a coragem moral e cívica de abandonar as conveniências mesquinhas do agora e enfrentar essa passagem tenebrosa, quando ela se impõe, para servir ao povo na imortalidade generosa do sempre: Getúlio, Che, Allende. Eles sabiam que iam morrer porque o que personificavam neste mundo estava morrendo. Pouco importa se deles discordamos ou com eles concordamos. No reino do sempre e da esperança não há fraturas, não é ele um mundo racional e lógico. O milenarismo latino-americano se expressa no rústico de libertações assim, que abrem a partir do mundo dos mortos a porta imaginária das inversões e as conversões, da busca da esperança nos contrários do que a morte rompeu. Quando o cadáver de Che Guevara chegou a La Higuera, para a autópsia e a injeção de formol que o preservaria, da pequena multidão fazia parte uma freira, de hábito branco, que aparece nas fotos, que ria o tempo todo, misturada com militares, jornalistas e agentes da CIA, testemunhou o jornalista inglês Richard Gott, enviado pelo Guardian. O riso da freira expressava a satisfação anti-comunista de quem fora educada na religiosidade anacrônica de um mundo dividido entre o bem do capitalismo e o mal do comunismo. Mas aproximou-se do grupo, também, uma camponesa que gritava "Assassino!", eco da propaganda militar na área. Ao ver o rosto do Che, silenciou e disse: "Meu Deus! Como ele era bonito!" Uma das fotos do corpo de Che, feitas na ocasião, foi difundida e interpretada como o retrato de um Jesus Cristo latino-americano. Os católicos progressistas se tornariam os principais apóstolos dessa ressurreição simbólica. A morte de Che também consumou a ruptura interior da esquerda, isolou simbolicamente os partidos comunistas, esvaziou o seu apelo proletário para dotar o inconformismo social dos pobres de uma mística sacrificial que tem em Che o cordeiro da história. Inverteu o nosso imaginário de esquerda, fazendo da tradição popular e conservadora, comunitária, religiosa e anti-capitalista, o cerne de um novo socialismo, crioulo e popular, tendente ao étnico invertido. Nele, mestiços, índios e negros invertem imaginariamente a pirâmide social iníqua e branca, num projeto social e político de meios tons políticos, meios tons sociais, meios tons religiosos, meios tons econômicos, meios tons raciais. Na captura e morte de Che começou a sucumbir o marxismo mecanicista de Louis Althusser, viabilizado pela aventura intelectual de classe média de Régis Debray, um dos primeiros prisioneiros dos militares bolivianos. Místicos ambos, criaram e viabilizaram um marxismo tomista e departamentalizado, anti-marxiano, ideologicamente útil às aventuras de classe média que se quer libertadora. A teoria do foco, de Debray, da guerrilha dos desgarrados da elite, que desencadeia a revolução dos pobres, também morreu na quebrada do Yuro. A guerrilha de Che Guevara não se propunha a realização de uma revolução camponesa, a revolução dos pobres na Bolívia, como se supõe ainda hoje. Era apenas uma extensão geopolítica da Revolução Cubana, na perspectiva por ele proclamada de criar vários Vietnãs e por em xeque o poderio americano. No fim, Che lamentava não ter se aproximado dos camponeses da área 'da luta. Era tarde. Eles temiam os guerrilheiros. Por medo ou prudência, os delatavam ao exército. Ou fugiam, abandonando as plantações e as casas. Mas a guerrilha não tinha neles a menor confiança, não os via como suj eitos da suposta revolução latino-americana. Na tarde da véspera de sua prisão e antevéspera de sua morte, uma das últimas linhas do diário de Che é relativa a uma velha camponesa, que tinha uma filha prostrada e outra meio anã, a quem os guerrilheiros deram 50 pesos para que não os denunciasse ao exército, que já os cercara. Escreveu o Che que eram "poucas as esperanças de que cumpra (a palavra) apesar de suas promessas". Na edição eletrônica do diário, o Centro de Estudos Che Guevara, de Cuba, esclarece que "a velha das cabras nunca foi delatora, nunca falou com os militares, não denunciou o Che. Chamava-se Epifania Cabrera e já faleceu. Foi-se para a montanha com as filhas, com medo das represálias do exército." A revolução sem povo sucumbiu ao silêncio da quebrada do Yuro. Epifania partira. •
· José de Souza Martins é professor titular de sociologia da Faculdade de Filosofia da USP
Domingo, 07 de outubro de 2007 (Folha de São Paulo)
